domingo, 3 de julho de 2011

Ir à Bruxa.


Hoje descobri que o meu tio que se vai divorciar (ou pelo menos ia e devia) foi à bruxa perguntar o que iria acontecer e o que devia fazer. A mulher disse-lhe que não podia sair de casa e que a esposa dele devia falar com uma conhecida dela - grande amiga da minha avó - lá na Povoa (sim, porque o meu tio saiu de Braga para ir à Povoa falar com uma bruxa que adivinha tudo e vê o futuro) que era ela que ia resolver o problema.
Quando a minha mãe me contou isto fiquei completamente perplexa. Como é possível acreditar em tal coisa?  Como é possível abdicar da nossa integridade, da nossa vida, só porque uma pessoa que é paga para dizer o que queremos ouvir, nos diz para o fazermos?
Para mim ir à bruxa é procurar uma saída fácil - que não existe - para problemas complexos. Uma estupidez! As pessoas tentam sempre agir com base nas consequências que poderão existir, fazer o que trará melhores resultados, o mais correcto. Se tivermos alguém que nos diga o que fazer não temos de passar pela parte complicada: pensar por nós e agir. Perdemos parte do medo de arriscar. 
Claro que é mais fácil quando ouvimos o que queremos. Sim, porque ele diz que quer sair de casa e que vai, mas na realidade, e apesar de tudo (e é um tudo ENORME), ama a mulher e separar-se dela é a última coisa que quer fazer.
O mais giro é que a bruxa é amiga da tal senhora amiga da minha avó, que foi também quem lá levou o meu tio. Sabia a idade dos filhos e de toda a situação sem o meu tio lhe dizer nada, que estranho! (ou então a amiga da minha avó contou-lhe tudo - sim, porque fofoqueira é ela). 
Procuramos sempre algo que nos faça acreditar que é mais fácil, que nos ajude a escolher, que nos dite o futuro. Por vezes os riscos são demasiados para conseguirmos processar uma resposta atempadamente e é muito mais difícil quando se trata não de uma mas de duas (ou até mais) pessoas dependentes das decisões que temos de tomar.
Quando custa pensar, qualquer ajuda nos serve. O desespero por respostas leva-nos a procurar até nos locais menos próprios mas cabe-nos a nós optar por acreditar ou não.

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